Existe uma história conhecida no mundo da liderança e do desenvolvimento pessoal:
a da águia que, ao envelhecer, sobe ao topo de uma montanha, isola-se, arranca o próprio bico, as unhas e as penas — e, após um período de dor e espera, renasce mais forte, pronta para voar novamente.
Do ponto de vista biológico, essa história não é real.
Águias não se reinventam dessa forma.
Mas no mundo humano — especialmente no mundo corporativo — essa metáfora é dolorosamente verdadeira.
Quando o que te trouxe até aqui não te leva adiante
Ao longo da minha trajetória como mentor executivo, vejo esse padrão se repetir com frequência inquietante.
Executivos experientes, respeitados, com currículos sólidos e resultados expressivos… que, de repente, começam a sentir algo difícil de nomear:
- O trabalho já não empolga
- As decisões pesam mais
- A energia diminui
- O reconhecimento externo já não compensa o vazio interno
Nada “deu errado”. Mas algo deixou de fazer sentido.
É como se o bico, que antes alimentava, agora machucasse. As unhas, que garantiam controle, passaram a simbolizar rigidez.
As penas — cargo, título, status — já não sustentassem o voo com a mesma leveza.
A montanha não é um lugar. É um processo.
Na metáfora, a águia sobe sozinha para o alto da montanha.
No mundo executivo, essa montanha raramente é física.
Ela costuma assumir outras formas:
- Uma pausa forçada (demissão, burnout, transição)
- Um processo de mentoria
- Um silêncio incômodo após anos de agendas lotadas
- Uma conversa honesta que desmonta certezas antigas
Subir a montanha significa afastar-se do ruído. Das expectativas alheias. Das narrativas prontas sobre sucesso.
E isso assusta — porque sem o barulho externo, somos obrigados a escutar aquilo que evitamos por anos.
Reinvenção não é glamour. É luto.
O mito da águia costuma ser contado como uma história inspiradora.
Mas há algo que quase nunca se diz: Reinventar-se dói.
Dói porque envolve perda: Perda de identidade; perda de certezas; perda de papéis que nos definiram por décadas
Executivos não sofrem apenas quando perdem o cargo.
Sofrem quando percebem que não são mais aquela versão que o mercado aprendeu a reconhecer — e ainda não sabem quem serão a seguir.
Esse é o verdadeiro “arrancar penas, bico e unhas”: não físico, mas simbólico.
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O maior risco: continuar voando baixo por medo da mudança
Muitos líderes não fracassam.
Eles apenas se acomodam em voos cada vez menores, sustentados por um sucesso antigo.
Mantêm o cargo, mas perdem a vitalidade.
Mantêm o título, mas perdem o propósito.
Mantêm a agenda cheia, mas o significado vazio.
E aqui está o ponto central da metáfora:
A reinvenção não é opcional.
Ela é apenas adiada — até se tornar inevitável.
O novo voo exige outra forma de liderança
Quando um executivo atravessa esse processo de forma consciente, algo muda profundamente:
- A liderança se torna menos egóica e mais estratégica
- O controle dá lugar à influência
- O cargo deixa de ser identidade e passa a ser função
- A escuta se aprofunda
- As decisões ganham perspectiva sistêmica
Não se trata de “voltar mais forte” no sentido tradicional. Trata-se de voar diferente.
Com mais consciência.
Menos vaidade.
Mais impacto real.
E dai…
Talvez a pergunta que realmente importa não seja se a história da águia é verdadeira.
Mas sim:
- O que, em você, já cumpriu seu papel — e insiste em permanecer?
- Que partes da sua identidade profissional estão impedindo seu próximo voo?
- Você está resistindo à dor da reinvenção… ou apenas adiando-a?

