Existe uma história frequentemente citada em estudos de comportamento coletivo que fala sobre gansos voando em formação de “V” durante suas migrações.
Eles não voam assim por acaso.
A formação reduz o esforço individual, distribui a liderança e aumenta a resistência do grupo.
Cada batida de asa ajuda quem vem atrás.
Quando o ganso da frente se cansa, outro assume naturalmente a liderança.
Se um se machuca, dois o acompanham até que consiga voar novamente.
Não há discurso motivacional. Não há bônus por performance. Há pertencimento, propósito e interdependência.
Agora, olhe para muitas organizações. Elas pedem engajamento, mas operam como bandos desorganizados, cada um batendo asa para um lado, líderes exaustos na frente e equipes cansadas tentando acompanhar.
O grande equívoco sobre engajamento
Engajamento ainda é tratado como:
programa de RH
- campanha interna
- pesquisa anual de clima
- discurso inspirador em convenções
Mas engajamento não é iniciativa. É consequência.
Pessoas não se engajam porque alguém pediu. Elas se engajam quando:
- entendem o sentido real do trabalho
- percebem coerência entre discurso e prática
- sentem que sua contribuição importa de verdade
Sem isso, qualquer ação vira cosmética.
Engajamento começa pela liderança e não pelo cargo
Na formação dos gansos, liderança não é status. É função e nNas organizações, muitas vezes ocorre o oposto:
- líderes que centralizam tudo
- gestores ausentes que não sustentam ninguém
- equipes que seguem sem clareza, apenas obedecendo
Ambientes assim geram conformidade, não engajamento.
Engajamento cresce onde há:
- confiança psicológica
- clareza de papéis
- espaço para questionar, errar e aprender
Sem medo, as pessoas voam melhor.
Feedback não é correção. É orientação de voo.
Muitas empresas só dão feedback quando algo dá errado. Tarde demais…Feedback que engaja é:
- contínuo
- específico
- orientado ao desenvolvimento
Quando o colaborador entende:
onde está, para onde vai e como pode melhorar
ele não precisa ser empurrado. Ele se move.
Reconhecimento é o combustível invisível
Durante o voo, os gansos emitem sons constantes. Não é barulho. É encorajamento.
Nas organizações, o silêncio costuma comunicar:
- “ninguém percebeu”
- “não fez diferença”
- “tanto faz”
Reconhecimento não precisa ser caro. Precisa ser verdadeiro, oportuno e coerente.
Pessoas toleram pressão. Mas não suportam invisibilidade.
Ambiente não é só físico. É emocional.
Você pode ter:
- escritório moderno
- café premium
- benefícios sofisticados
E ainda assim um ambiente tóxico. Engajamento floresce onde:
- há respeito
- há escuta
- há segurança para discordar
Ambientes controladores geram obediência. Ambientes saudáveis geram compromisso.
Desenvolvimento não é benefício. É pacto.
Quando uma empresa investe em desenvolvimento apenas para “corrigir falhas”, o colaborador sente.
Quando investe para ampliar visão e autonomia, a mensagem muda:
“Queremos você crescendo conosco.”
Mentoria, coaching e desenvolvimento contínuo não são custo. São estratégia de engajamento e retenção.
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Comunicação sustenta a formação
Sem comunicação clara, a formação se rompe. Reuniões que só informam não engajam. Canais que só transmitem não conectam.
Engajamento nasce quando a comunicação:
- é bidirecional
- acolhe opiniões
- gera influência real
Quando as pessoas percebem que falar não adianta, elas param. E quando param de falar, já começaram a sair da formação.
E daí…
Os gansos não precisam de campanhas de engajamento. Precisam de direção, liderança compartilhada e apoio mútuo.
Talvez a pergunta não seja: “Como aumentar o engajamento dos colaboradores?”

