Raramente uma empresa quebra por falta de inteligência.
Na maioria das vezes, ela é comprometida por decisões que pareciam corretas no momento em que foram tomadas.
É assim que riscos mal compreendidos se transformam em ameaças à sustentabilidade do negócio.
E é aqui que gestão de riscos financeiros deixa de ser uma função técnica e passa a ser uma questão de liderança estratégica.
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A Metáfora que Continua Atual
Uma antiga fábula conta que uma raposa caiu em um poço. Incapaz de sair, convenceu um bode curioso a saltar, dizendo que a água era excelente.
Depois de utilizá-lo como apoio para escapar, deixou-o preso — e ainda advertiu:
“Se tivesses pensado na saída antes de entrar, não estarias aí.”
Essa história atravessa séculos porque descreve um erro humano recorrente: entrar antes de compreender plenamente as consequências.
No ambiente corporativo, o “poço” raramente é visível.
Ele pode ter a forma de um contrato financeiro sofisticado, uma estratégia cambial complexa ou uma decisão tomada sob pressão.
O que é Gestão de Riscos Financeiros?
Gestão de riscos financeiros é o conjunto de práticas destinadas a identificar, mensurar e mitigar exposições como:
- Risco cambial
- Risco de mercado
- Risco de crédito
- Risco de liquidez
- Risco de alavancagem
Seu objetivo não é eliminar o risco — algo impossível — mas torná-lo compreensível, controlável e alinhado à estratégia da organização.
Quando isso não ocorre, instrumentos criados para proteger podem ampliar vulnerabilidades.
Quando a Proteção se Transforma em Risco
Presenciei um caso emblemático.
Um diretor financeiro, pressionado pela volatilidade cambial e influenciado por estruturas sofisticadas do mercado financeiro, decidiu assumir contratos de derivativos complexos como estratégia de hedge cambial.
A intenção era legítima: proteger a empresa da oscilação do dólar. O problema não estava no instrumento. Estava na profundidade do entendimento.
Enquanto o dólar permanecia estável, os relatórios indicavam controle. A exposição parecia administrável. Até que veio a instabilidade…
A cotação disparou.
As exigências de margem aumentaram.
O caixa foi pressionado.
O hedge transformou-se em passivo relevante.
A sustentabilidade financeira da empresa foi comprometida. O erro não foi utilizar derivativos. Foi assumir complexidade sem domínio integral do risco — e sem testar adequadamente os cenários adversos.
O Verdadeiro Erro Estratégico
Executivos experientes não erram por falta de capacidade. Erram quando:
- Confundem explicação técnica com compreensão real.
- Subestimam o impacto de cenários extremos.
- Delegam entendimento crítico sem questionamento estruturado.
- Tomam decisões sob pressão sem simulações adequadas.
Gestão de risco não é apenas matemática. É maturidade estratégica.
O Papel do CFO e da Liderança Executiva
O CFO contemporâneo não é apenas guardião dos números. É gestor da sustentabilidade financeira. É responsável por equilibrar crescimento, exposição e governança.
Mas quanto maior a senioridade, menor costuma ser o espaço seguro para reflexão antes da decisão:
Mercado pressiona.
CEO exige previsibilidade.
Conselho busca estabilidade.
Nesse ambiente, decisões complexas podem ser tomadas com excesso de confiança e insuficiente questionamento e é nesse ponto que liderança estratégica se diferencia da gestão operacional.
Como Evitar que a Complexidade Comprometa a Empresa
Antes de aprovar qualquer estratégia financeira relevante, líderes devem se perguntar:
✔️ Eu compreendo integralmente o instrumento que estou aprovando?
✔️ Qual é o pior cenário possível?
✔️ A organização suporta esse cenário?
✔️ Existe governança adequada para monitorar a exposição?
✔️ Estou assumindo um risco calculado ou apenas um risco explicado?
Sustentabilidade empresarial depende da qualidade dessas perguntas.
A Contribuição da Mentoria Executiva
Muitos executivos tomam decisões críticas sem espaço estruturado para análise profunda. A mentoria executiva, especialmente para CFOs e líderes financeiros, cria esse espaço. Ela permite:
- Testar premissas estratégicas
- Simular cenários extremos
- Ampliar visão sistêmica
- Separar proteção de exposição implícita
- Reduzir decisões tomadas sob pressão isolada
Executivos experientes não precisam de mais informação. Precisam de clareza. E clareza nasce de reflexão orientada.
E daí…
A fábula do bode e da raposa continua atual porque o erro humano continua atual.
No ambiente corporativo, o poço pode ser sofisticado, técnico e revestido de linguagem financeira. Mas a lógica permanece simples:
Antes de entrar, compreenda profundamente a saída.
Gestão de riscos financeiros não é apenas disciplina técnica.
É expressão de liderança estratégica.

