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LIDERANÇA NÃO É TOCAR COM TUDO PERFEITO – é saber tocar com o que se tem quando algo falta

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“Às vezes, a tarefa de um artista é descobrir quanta música ainda é possível fazer com o que restou.”

A frase é atribuída ao violinista Itzhak Perlman e costuma ser citada por Tony Robbins em livros e palestras sobre desempenho humano.

A história é simples, mas poderosa.

Durante uma apresentação, uma das cordas do violino de Perlman se rompeu.
Para qualquer músico, isso normalmente significaria interromper o concerto. O violino tem apenas quatro cordas, e muitas obras foram compostas considerando todas elas.

Mas Perlman não parou.
Ele se adaptou.
Reorganizou mentalmente a execução da peça e continuou tocando — com apenas três cordas.

O público assistiu a algo raro: não apenas uma performance técnica, mas uma demonstração de maturidade, presença e adaptação em tempo real.

Quando uma corda se rompe no mundo corporativo

No mundo executivo, as “cordas” se rompem o tempo todo.

Um projeto estratégico perde orçamento

  • Um executivo-chave deixa a empresa no meio do caminho
  • O mercado muda de forma abrupta
  • A pressão por resultados aumenta
  • A decisão precisa ser tomada sem todas as informações

Ainda assim, espera-se performance.
Ainda assim, o “show” precisa continuar.

A diferença é que, ao contrário do palco, no mundo corporativo raramente existe aplauso imediato. Existe cobrança, exposição e, muitas vezes, solidão.

O mito das condições perfeitas

Muitos líderes foram formados — e promovidos — por sua capacidade técnica em cenários controlados.
Funcionam muito bem quando:

  • O time está completo
  • O orçamento foi aprovado
  • O contexto é previsível
  • As regras estão claras

O problema surge quando o cenário deixa de ser ideal.

É nesse ponto que vejo, em processos de coaching e mentoria executiva, profissionais extremamente competentes travarem.
Não por falta de inteligência ou experiência, mas por uma crença silenciosa:

Eu só consigo entregar o meu melhor quando tudo está no lugar.”

A realidade, porém, não costuma colaborar com essa expectativa.

Liderança não é evitar perdas — é saber operar com elas

Perlman não recuperou a corda rompida.
Ele não reclamou do instrumento.
Não pediu tempo.
Não negociou condições melhores.

Ele simplesmente aceitou a nova realidade e perguntou, ainda que silenciosamente:

“O que é possível fazer agora, com o que eu tenho?”

Essa é, talvez, a pergunta mais poderosa da liderança madura.

No mundo corporativo, líderes eficazes não são aqueles que evitam crises — mas os que respondem bem quando elas chegam.

A diferença entre gestores eficientes e líderes maduros

Quando algo falta, muitos gestores:

  • Ficam presos ao que foi perdido
  • Tentam replicar o passado
  • Gastam energia justificando o cenário
  • Adiam decisões esperando que “a corda volte”

Líderes mais maduros fazem o oposto:

  • Aceitam rapidamente a nova realidade
  • Redefinem prioridades
  • Simplificam
  • Criam alternativas
  • Avançam com clareza

Não se trata de otimismo ingênuo.
Trata-se de responsabilidade e adaptação.

O papel do coach e do mentor nesse momento

Grande parte do meu trabalho como mentor e coach executivo acontece exatamente quando uma “corda” se rompe.

É nesse momento que surgem perguntas difíceis:

  • Como seguir sem comprometer a qualidade?
  • O que deve ser mantido, ajustado ou abandonado?
  • Quais decisões não podem mais ser adiadas?
  • Como sustentar a equipe emocionalmente sem perder direção?

Coaching e mentoria não devolvem o cenário ideal.
Mas ajudam o líder a reorganizar a música.

Ajudam a sair da paralisia.
A enxergar possibilidades que não eram visíveis no modo automático.
A transformar limitação em foco.

Excelência não é fazer mais — é fazer melhor com menos

Um dos grandes equívocos do mundo corporativo é associar excelência a excesso:
mais recursos, mais gente, mais controles, mais processos.

A história de Perlman aponta para outro caminho.

Excelência, muitas vezes, nasce da restrição bem compreendida.
Da clareza sobre o essencial.
Da coragem de adaptar.

Algumas das decisões mais inteligentes que já vi em conselhos, comitês e diretorias surgiram justamente quando “não havia escolha”.

Liderança é presença, não perfeição

Perlman não tocou menos música.
Ele tocou música diferente.

No ambiente corporativo, líderes extraordinários fazem o mesmo:
não replicam o plano original a qualquer custo,
mas criam valor apesar das perdas.

Eles entendem que liderar não é garantir que nada falhe,
mas sustentar direção quando algo falha.

E dai…

Talvez o verdadeiro teste da liderança não esteja nos momentos de expansão,
mas na forma como reagimos quando algo se rompe.

Quando o plano não fecha.
Quando o time muda.
Quando o cenário aperta.

A pergunta permanece:

Quanta música você ainda é capaz de fazer com as cordas que restaram?

mento.

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