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O JARDIM SEM FLORES: Quando a carreira entra em luto

Nem toda transição profissional começa com respostas. Às vezes, começa com luto. Descubra como perdas de carreira afetam identidade, por que acelerar a reinvenção pode gerar frustração e como coaching e mentoria ajudam a preparar o solo para novos ciclos.

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Há momentos na vida em que nada floresce…

Dona Virginia cuidava do jardim de sua casa com dedicação quase ritualística. Cada flor tinha um nome, uma história, uma memória associada. Aquele jardim não era apenas um espaço externo; era extensão de uma vida construída a dois. Quando seu marido faleceu após cinquenta anos de casamento, algo estranho aconteceu: todas as flores murcharam ao mesmo tempo, como se compartilhassem sua dor.

Nos meses que se seguiram, o jardim permaneceu sem vida. Ainda assim, Virginia mantinha sua rotina. Regava a terra vazia, removia folhas secas, revolvia o solo. Fazia tudo o que sempre fizera — mas nada florescia. Os vizinhos, bem-intencionados, sugeriam que plantasse novas sementes. Ela respondia, com serenidade firme, que o jardim estava de luto.

Na primavera seguinte, sua neta pequena veio visitá-la trazendo um punhado de sementes coloridas. Sem pedir permissão, espalhou-as em diferentes canteiros. Virginia observou em silêncio; não teve coragem de impedi-la. Algumas semanas depois, pequenos brotos começaram a surgir. Eram flores diferentes daquelas que haviam morrido, mas igualmente belas. Naquele momento, Virginia compreendeu algo essencial: o jardim nunca mais seria o mesmo — e, ainda assim, podia voltar a abrigar beleza.

Essa história, aparentemente simples, descreve com precisão cirúrgica o que muitas pessoas vivem ao atravessar uma transição profissional profunda.

O luto que o mercado não reconhece

A perda de um emprego, o fim de um ciclo longo, uma aposentadoria precoce, uma mudança forçada de carreira ou mesmo o esgotamento silencioso de uma trajetória bem-sucedida provocam de fato algo que raramente é nomeado: luto profissional.

Não se trata apenas de perder um cargo ou uma fonte de renda. Perde-se identidade, pertencimento, rotina, status, reconhecimento. Perde-se, muitas vezes, a narrativa que sustentava o “quem sou eu”. E, como no jardim de Dona Clara, há um tempo em que o solo simplesmente não responde.

O problema é que o mercado — e às vezes a própria família — não costuma respeitar esse tempo. Surgem frases prontas: “você precisa se reinventar”, “o mercado está cheio de oportunidades”, “é só se reposicionar”. São conselhos que de fato ignoram um ponto fundamental: não se planta em solo que ainda está em luto.

A tentação de plantar cedo demais

Muitos profissionais em transição tentam acelerar o processo para aliviar a ansiedade — própria e alheia. Atualizam currículos compulsivamente, aceitam qualquer oportunidade, replicam trajetórias passadas em contextos que já não existem. Plantam sementes por obrigação, não por sentido.

O resultado costuma ser previsível: frustração, desalinhamento bem como repetição de padrões que já haviam se esgotado. O jardim até pode ter flores, mas elas não permanecem.

Transições bem-sucedidas raramente começam com respostas. Começam com escuta, pausa e preparo do solo.

O papel do coaching e da mentoria: preparar a terra

Na metáfora, a neta não substitui o jardim antigo, nem força Virginia a esquecer o passado. Ela introduz possibilidade. Não exige decisão, não pede garantias. Apenas planta sementes.

Esse é, sem dúvida, um retrato preciso do papel do coach ou mentor em processos de transição:

  • Não acelerar o que ainda precisa ser compreendido;
  • Não minimizar perdas nem romantizar a dor;
  • Não oferecer fórmulas prontas;
  • Criar um espaço seguro para reflexão, testes e reconstrução de sentido.

Coaching, nesse contexto, não é sobre definir rapidamente “o próximo cargo”. É sobre revisitar identidade, valores, desejos e limites. Mentoria não é sobre replicar trajetórias passadas, mas ajudar a discernir quais sementes ainda fazem sentido ser plantadas.

Novas sementes não apagam as antigas

Um ponto central da história é que as novas flores não substituem as antigas. Elas não competem com a memória do que foi vivido. Apenas inauguram um novo ciclo.

Em transições de carreira, isso é essencial. Muitos profissionais acreditam que seguir adiante significa negar o passado. Mas, na prática, ocorre o oposto: quanto mais integrada está a história anterior, mais sólido é o próximo passo.

Um jardim diferente não é um jardim menor. Uma carreira diferente não é uma carreira de menor valor. Em muitos casos, é justamente o contrário: é mais consciente, mais alinhada e, além disso, mais sustentável.

Quando a beleza volta de outra forma

A beleza que retorna após uma transição raramente é igual à anterior. Ela costuma ser mais silenciosa, mais seletiva, menos dependente de aplausos externos. Surge em projetos com propósito, em contribuições mais precisas, em escolhas que sem dúvida respeitam limites antes ignorados.

Mas isso exige tempo. Exige aceitar que, por um período, o jardim pode parecer vazio. E que cuidar da terra, mesmo sem resultados visíveis, faz parte do processo.

E dai….

Talvez você esteja vivendo exatamente esse momento: regando um solo que ainda não responde, ouvindo conselhos apressados, sentindo-se pressionado a “produzir” um novo futuro antes mesmo de compreender o que ficou para trás.

A pergunta que permanece é simples — e profunda:

Que sementes você tem evitado plantar por medo de que o jardim nunca mais seja o mesmo? 

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