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QUANDO O RESULTADO VIRA PRISÃO: Por que líderes perdem pessoas ao ignorar o propósito

Desânimo, estresse crônico, irritabilidade, sensação de vazio, perda de sentido — e, em casos mais profundos, depressão.
Esses sentimentos são cada vez mais comuns entre profissionais das organizações modernas. E não se trata de fragilidade individual. Trata-se de um modelo de gestão que insiste em acelerar sem perguntar para onde está indo.

Ao longo das últimas décadas, as empresas se tornaram altamente eficientes em definir metas, indicadores e mecanismos de controle. Isso não é, por si só, um problema. Metas são necessárias, racionais e fundamentais para qualquer negócio que pretenda sobreviver e crescer.
O problema surge quando o resultado deixa de ser consequência e passa a ser o único sentido.

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Pressão por resultados: o problema não está nas metas

A pressão por performance não nasce no chão da fábrica nem na base da organização. Ela desce em cascata:

  • acionistas pressionando por retornos crescentes;
  • conselhos de administração focados em curto prazo;
  • executivos C-level com remuneração variável atrelada a indicadores;
  • gestores intermediários transformados em transmissores da cobrança.

Nesse modelo, a pergunta nunca é “por quê?”, mas sempre “quanto?” e “até quando?”.

Philip Crosby já afirmava que “o sucesso é planejado, o fracasso simplesmente acontece”.
O que muitas organizações ignoram é que planejamento sem sentido humano gera obediência, não engajamento.

A inversão perigosa: quando o “como” vem antes do “porquê”

Metas são contratos e devem ser cumpridas.
Mas metas, isoladamente, não mobilizam pessoas.

O que mobiliza é compreender:

  • por que isso importa;
  • qual o impacto real do esforço;
  • onde tudo isso leva.

Quando o “como fazer” vem antes do “por que fazer”, instala-se o que observo com frequência em processos de mentoria executiva:
profissionais altamente competentes, experientes e bem remunerados, correndo o tempo todo, exaustos, mas desconectados do sentido do que fazem.

É a eficiência vazia. Muito movimento, pouco significado.

A crise invisível de engajamento nas organizações

Peter Senge escreveu em A Quinta Disciplina que:

“Organizações que aprendem são aquelas nas quais as pessoas ampliam continuamente sua capacidade de criar o futuro que realmente desejam.”

Quando esse futuro não está claro — ou não é compartilhado — o trabalho vira apenas sobrevivência.

Gosto de lembrar a metáfora de Cristóvão Colombo: dizem que saiu sem saber exatamente para onde ia, chegou sem saber onde estava e voltou sem saber de onde tinha vindo.
Essa história se parece, perigosamente, com o cotidiano de muitas organizações:

  • reuniões que se repetem sem decisão;
  • projetos que mudam de direção a cada trimestre;
  • prioridades conflitantes;
  • metas renovadas sem reflexão.

Não falta competência. Falta propósito claro.

Liderança, propósito e performance sustentável

Em processos de coaching executivo, é recorrente ouvir líderes dizendo:
“Minha equipe está cansada”, “as pessoas perderam energia”, “ninguém se engaja como antes”.

A resposta raramente está em mais pressão, mais controle ou novas ferramentas de gestão.
Ela está em reconectar pessoas ao sentido do que fazem.

Viktor Frankl, que viveu a experiência extrema dos campos de concentração, sintetizou isso de forma definitiva:

“Quem tem um porquê enfrenta qualquer como.”

No mundo corporativo, insistimos em inverter essa lógica.
Primeiro cobramos. Depois medimos. Só então nos perguntamos por que as pessoas estão desmotivadas.

O papel da mentoria e do coaching executivo

Mentoria e coaching executivo não são “soft skills”. São ferramentas estratégicas de liderança.

Ao longo da minha trajetória como mentor e coach de executivos, CEOs e empresários, percebo que resultados sustentáveis surgem quando líderes param para refletir, alinhar discurso e prática, e criar espaços reais de diálogo.

Não se trata de motivação superficial, mas de:

  • clareza estratégica;
  • coerência entre metas e valores;
  • responsabilização consciente;
  • engajamento genuíno.

Caso real: quando o engajamento muda os resultados

Uma organização na qual atuei como mentor vivia um ciclo contínuo de frustração:

  • resultados abaixo do planejado por vários anos;
  • perda de participação de mercado;
  • queda de vendas;
  • geração de caixa negativa.

Tudo isso era tratado como problema.
Na verdade, eram apenas sintomas.

A causa raiz era a falta total de engajamento, inclusive na alta liderança.

A virada começou quando os principais executivos decidiram conversar de forma aberta com toda a organização:

  • expor problemas sem maquiagem;
  • ouvir pessoas de verdade;
  • discutir o “porquê” antes do “quanto”;
  • focar qualidade das decisões, não apenas números.

O resultado no ano seguinte foi contundente:

  • recuperação de participação de mercado;
  • aumento de 40% nas vendas;
  • resultados operacionais muito acima do planejado.

Não foi milagre.
Foi sentido compartilhado.

Liderar é inspirar antes de cobrar

Um negócio é um sistema complexo.
E seus componentes mais críticos são pessoas, não processos.

Para que esse sistema funcione, é essencial alinhar:

  • Missão – o porquê;
  • Visão – o que queremos construir;
  • Estratégia – como vamos chegar lá.

E, acima de tudo, empoderar pessoas para que tomem decisões, aprendam e cresçam.

Organizações fortes não empurram pessoas para correr mais rápido.
Elas convidam as pessoas a caminhar na mesma direção.

E daí… : sair da corrida sem sentido

No que diz respeito a pessoas, o coração vem antes da razão.
Para que alguém aja na direção desejada, é preciso antes despertar emoções em busca de significado.

Esse é o papel do líder inspirador.
Esse é o papel da mentoria executiva.
Esse é o antídoto para a corrida sem sentido que tantas organizações ainda insistem em chamar de alta performance.

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