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TRANSIÇÃO DE CARREIRA EXECUTIVA: o risco de trocar estratégia por urgência

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Na pressa de colher resultados imediatos, muitos profissionais acabam sacrificando o que levaram anos para construir.

A fábula O Ganso de Ouro, dos Irmãos Grimm, atravessou gerações porque trata de um impulso profundamente humano: a dificuldade de sustentar processos quando a ansiedade por resultados toma o controle. Na história, o ganso botava ovos de ouro regularmente. Em vez de respeitar o ritmo que gerava prosperidade contínua, o dono decide forçar o resultado — mata o ganso na esperança de encontrar todo o ouro de uma vez. O desfecho é conhecido: perde-se o fluxo e fica-se sem nada.

À primeira vista, é uma moral simples. No mundo corporativo — especialmente em transições de carreira —, ela se torna incômoda, atual e reveladora.

Quando a fábula encontra a vida profissional

Em transição, muitos profissionais enfrentam duas pressões simultâneas: urgência por recolocação e dificuldade de se posicionar com clareza e diferenciação. A combinação é explosiva. O tempo parece correr mais rápido; a comparação com pares se intensifica; o silêncio entre processos seletivos pesa. É nesse contexto que o “ganso” passa a ser visto apenas como meio para um fim — e não como o ativo que sustenta o valor ao longo do tempo.

Na leitura simbólica da fábula:

  • O ganso representa a trajetória construída: reputação, coerência, aprendizados, escolhas difíceis, relações cultivadas.
  • Os ovos de ouro são as oportunidades: convites, entrevistas, projetos, visibilidade.
  • Matar o ganso é romper a própria narrativa para acelerar um resultado imediato.

O problema, como na fábula, não é a falta de ouro. É a incapacidade de sustentar o processo.

A armadilha da pressa na transição

Ao longo dos anos, tenho conversado com profissionais que buscam mais do que um novo cargo: querem estratégia, narrativa profissional consistente e um próximo passo com significado. Ainda assim, sob pressão, muitos cometem escolhas que fragilizam exatamente o que os diferenciava. Alguns exemplos recorrentes:

  • Aceitar qualquer posição “para sair do limbo”, mesmo quando o escopo descaracteriza a história construída.
  • Mudar o discurso a cada conversa, adaptando-se ao interlocutor a ponto de perder identidade.
  • Inflar ou esconder experiências, acreditando que isso acelera a decisão — quando, na prática, mina confiança.
  • Trocar coerência por urgência, apostando que o desalinhamento pode ser corrigido depois.

São decisões compreensíveis. Mas, somadas, matam o ganso. O curto prazo até pode entregar um ovo. O médio prazo cobra a conta.

Reputação não é estoque; é fluxo

Carreira não é um cofre cheio de moedas acumuladas; é um fluxo de valor que depende de consistência. Reputação funciona como o ganso da fábula: gera resultados ao longo do tempo, desde que o processo seja respeitado. Quando a ansiedade substitui a estratégia, o fluxo se interrompe.

Aqui está um ponto pouco discutido: nem toda oportunidade é um ovo de ouro. Algumas brilham, mas custam caro. Outras parecem menores, mas preservam a lógica da trajetória e mantêm o fluxo vivo. Discernir isso exige pausa — algo raro quando a pressão aperta.

O papel da mentoria: não acelerar, calibrar

Em transições, a mentoria não serve para “empurrar” decisões. Serve para calibrar. É o espaço onde o líder pode pensar em voz alta, confrontar hipóteses e evitar atalhos sedutores. Mentoria é, muitas vezes, o freio inteligente que impede a destruição do ativo mais valioso: a própria história.

Quando há clareza de narrativa, o profissional:

  • escolhe melhor onde e como se posicionar;
  • sustenta um discurso coerente ao longo das conversas;
  • reconhece oportunidades que ampliam — e não amputam — seu valor.

Isso não elimina a ansiedade, mas organiza a ação.

Pressa, significado e o próximo passo

Há uma pergunta que costuma reorganizar decisões em transição: “Este passo preserva ou compromete o fluxo de valor da minha trajetória?” Ela desloca o foco do imediato para o sustentável. Do cargo para o sentido. Do medo para a estratégia.

Não se trata de esperar indefinidamente nem de romantizar o processo. Trata-se de não matar o ganso na tentativa de acelerar o desfecho. Profissionais maduros sabem: a carreira é uma maratona feita de escolhas silenciosas, não uma corrida de 100 metros resolvida no impulso.

E dai…

Na fábula, o erro não foi querer mais. Foi querer tudo agora. Na transição de carreira, a pergunta que fica é simples e incômoda: na pressa de encontrar o próximo cargo, quantos profissionais acabam sacrificando a únicas coisas que realmente tinham valor?

Se a história do ganso ainda atravessa séculos, talvez seja porque o dilema continua o mesmo — apenas com outros nomes, outros cargos e outras urgências.

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