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O EXÍMIO CAÇADOR QUE NUNCA ACERTA O ALVO: A ILUSÃO DA COMPETÊNCIA NO MUNDO CORPORATIVO

O problema não é errar o alvo. É continuar atirando sem perceber que nunca acertou.

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A fábula como espelho

Na fábula “O Exímio Caçador”, atribuída aos Irmãos Grimm, conhecemos um homem que se apresenta como um grande mestre da caça. Confiante, eloquente, seguro de si, ele narra feitos grandiosos, descreve sua precisão, sua técnica e sua experiência. No discurso, é impecável.

Mas quando chega o momento da prática — quando precisa de fato caçar — algo estranho acontece: ele erra todos os alvos.

A explicação nunca vem acompanhada de autocrítica. Sempre há uma justificativa externa: o vento, o terreno, o momento, o acaso. Jamais a mira.

A fábula é curta, quase simples. Mas o incômodo que ela provoca é profundo.

O exímio caçador mora nas organizações

No mundo corporativo, essa fábula ganha vida todos os dias.

Ela aparece:

  • no executivo tecnicamente brilhante, mas incapaz de gerar engajamento
  • no líder confiante que repete decisões equivocadas
  • no profissional com currículo robusto, mas resultados cada vez mais frágeis
  • na carreira que faz muito barulho, mas avança pouco

São pessoas que dominam o discurso, mas perderam conexão com a prática real. Que confundem experiência acumulada com aprendizado contínuo. Que seguem atirando, mesmo sem acertar.

E, pior: já não se perguntam mais por que erram.

A ilusão da competência

A ilusão da competência é traiçoeira porque ela se alimenta de três fatores perigosos:

  1. Histórico de sucesso passado O que funcionou ontem passa a ser tratado como verdade eterna.
  2. Ambientes pouco desafiadores Organizações que não confrontam, não questionam e não oferecem espelhos honestos.
  3. Autoconfiança sem reflexão Quando a certeza ocupa o lugar da curiosidade.

Nesse cenário, o exímio caçador não percebe que o problema não está no alvo mas está na forma como ele mira.

Quando errar vira padrão invisível

Um dos aspectos mais perigosos da fábula não é o erro em si, mas a normalização do erro.

No mundo corporativo, isso acontece quando:

  • decisões equivocadas se repetem
  • conflitos de equipe se tornam recorrentes
  • talentos se perdem sem explicação aparente
  • resultados caem, mas o discurso segue otimista

Tudo parece “sob controle”, até que não está mais.

E quando a realidade cobra a conta, o líder costuma dizer:

“Não entendo o que aconteceu.”

A fábula responde com clareza cruel: Você nunca acertou. Só nunca parou para observar.

O papel da mentoria / coaching executivo: ajustar a mira, não ensinar a atirar

Na minha experiência como mentor / coach executivo, raramente encontro líderes que “não sabem atirar”. O que encontro com frequência são líderes que não sabem mais onde estão mirando.

A mentoria não serve para:

  • ensinar fórmulas prontas
  • oferecer respostas automáticas
  • substituir a autonomia do líder

Ela serve para algo mais desconfortável e muito mais transformador: ajudar o exímio caçador a enxergar seus próprios erros sem destruir sua identidade.

É o espaço onde:

  • certezas são questionadas
  • padrões são revelados
  • decisões ganham contexto
  • a prática volta a dialogar com a realidade

Mentoria / coaching executivo é espelho. E nem todo líder está preparado para se olhar de verdade.

Liderança madura começa com dúvida

A fábula nos lembra que liderança não é sobre parecer competente. É sobre ser eficaz no mundo real, imperfeito e em constante mudança.

Líderes maduros:

  • desconfiam das próprias certezas
  • revisitam decisões
  • pedem feedback
  • ajustam rota

Eles sabem que errar faz parte. Mas insistir no erro por orgulho é escolha.

E dai…

Talvez o maior risco para uma carreira não seja a falta de talento. Nem a ausência de oportunidades.

Talvez seja algo muito mais silencioso:

A convicção de que já sabemos tudo.

A fábula do exímio caçador não fala sobre incompetência. Ela fala sobre cegueira.

E deixa uma pergunta inevitável:

Você tem certeza de que é um exímio caçador… ou apenas alguém que nunca parou para observar os próprios erros?

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