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QUANDO A LIDERANÇA SOBE NO GALHO ERRADO, A EMPRESA CAI: o que ninguém te conta sobre papéis e responsabilidades”

Em um mundo corporativo cada vez mais acelerado, onde todos parecem correr para todos os lados ao mesmo tempo, um provérbio brasileiro de origem africana ressurge com força surpreendente: “Cada macaco no seu galho.”
Simples, direto e quase coloquial, ele carrega uma verdade que muitos líderes ignoram — e pagam caro por isso.
A sabedoria por trás dessa frase não é apenas cultural; é estratégica. E, como mentor executivo, vejo diariamente como a falta de clareza de papéis, responsabilidades e competências é uma das maiores fontes de desgaste, conflitos e baixa performance nas organizações.

Este artigo explora como esse provérbio pode — e deve — orientar líderes, equipes e empresas que buscam maturidade, foco e resultados consistentes.

A origem do provérbio e sua força simbólica

“Cada macaco no seu galho” tem raízes na tradição oral africana, trazida ao Brasil durante o período colonial.
A metáfora é simples: quando cada macaco está no galho certo, a árvore permanece equilibrada. Quando um tenta ocupar o espaço do outro, o caos se instala.

Essa imagem é poderosa porque traduz, de forma visual, o que acontece em muitas empresas:

  • pessoas assumindo funções para as quais não estão preparadas
  • líderes acumulando tarefas que deveriam delegar
  • profissionais talentosos desperdiçados em atividades que não exploram seu potencial
  • equipes inteiras trabalhando sem clareza de prioridades

O resultado é previsível: ineficiência, frustração e perda de energia estratégica.

O provérbio como lente para entender o caos organizacional

No ambiente corporativo, o “galho” representa o papel, a competência, a zona de impacto de cada profissional.
Quando essa estrutura é respeitada, a organização flui.
Quando é ignorada, surgem sintomas que você certamente já viu:

  • Retrabalho constante
  • Conflitos silenciosos entre áreas
  • Lideranças sobrecarregadas e equipes subutilizadas
  • Decisões lentas porque ninguém sabe quem é o dono do quê
  • Falta de accountability
  • Talentos desmotivados por não atuarem onde brilham

Como mentor executivo, observo que esses problemas raramente são técnicos.
Eles são estruturais e, principalmente, comportamentais.

A liderança que tenta abraçar o mundo — e perde o essencial

Um dos erros mais comuns que vejo em executivos é acreditar que precisam estar em todos os galhos ao mesmo tempo.
É o líder que:

  • centraliza decisões
  • revisa tudo
  • participa de todas as reuniões
  • tenta resolver problemas que deveriam ser resolvidos por outros
  • se envolve em detalhes operacionais que não agregam ao seu papel estratégico

Esse comportamento, embora muitas vezes bem‑intencionado, gera um efeito colateral perigoso: a equipe não cresce.
E um líder que não desenvolve sua equipe inevitavelmente se torna gargalo.

O provérbio, nesse contexto, funciona como um lembrete:
liderar não é ocupar todos os galhos; é garantir que cada pessoa esteja no galho certo.

Competência, vocação e impacto: o tripé do “galho certo”

Para aplicar o provérbio de forma prática, gosto de trabalhar com três perguntas fundamentais:

1. Competência:

A pessoa tem as habilidades necessárias para esse papel?

2. Vocação:

Ela gosta, se energiza e se identifica com esse tipo de trabalho?

3. Impacto:

Esse é o lugar onde ela gera maior valor para a organização?

Quando esses três elementos se alinham, o profissional está no “galho certo”.
Quando não estão, surgem desalinhamentos que drenam performance e motivação.

O papel do mentor executivo: colocar cada pessoa no galho certo

Aqui está o ponto de conexão direto com o seu trabalho, Walter.

Um mentor executivo não é alguém que apenas aconselha.
É alguém que ajuda líderes a enxergar o que eles não veem, a reorganizar prioridades, a identificar talentos ocultos e a construir estruturas mais inteligentes.

Na prática, isso significa:

  • ajudar o líder a entender onde ele realmente deve atuar
  • identificar quais atividades precisam ser delegadas
  • mapear competências da equipe
  • realocar pessoas para funções onde terão mais impacto
  • fortalecer a cultura de responsabilidade
  • reduzir conflitos silenciosos
  • aumentar a velocidade de execução

Em outras palavras: um mentor ajuda a empresa a colocar cada macaco no seu galho — e a árvore inteira cresce.

Quando o provérbio não se aplica — e por que isso também importa

É importante reconhecer que o provérbio não defende rigidez.
Há momentos em que sair do galho é necessário:

  • para aprender algo novo
  • para assumir desafios maiores
  • para expandir competências
  • para substituir alguém temporariamente
  • para inovar

A chave é fazer isso de forma consciente, estruturada e estratégica — não por caos, improviso ou falta de clareza.

E dai a sabedoria simples que falta em muitas empresas

Cada macaco no seu galho” não é apenas um provérbio popular.
É um princípio de gestão, liderança e estratégia.
Quando aplicado com inteligência, ele:

  • reduz conflitos
  • aumenta a produtividade
  • fortalece a cultura
  • acelera decisões
  • desenvolve talentos
  • libera o líder para atuar onde realmente importa

E, no fim, essa é a essência do trabalho de um mentor executivo:
ajudar líderes e equipes a encontrarem seu galho — e prosperarem nele.

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